sexta-feira, 16 de maio de 2014

Complicated.

Ontem foi um dia complicado.
Complicado para todos os recifenses: Um medo gigante tomou conta de cada pessoa de bem da minha cidade, uma energia negativa que só foi embora no final do dia depois de um pronunciamento de fim de greve e um banho gelado de água corrente.

Mas eu não estou aqui para falar do que passou, de forma alguma, estou aqui pra falar daquela menina dos olhos verdes que, segundo Mário Quintana, se chama Esperança. Uma esperança que quase foi embora ontem no meio de tanta confusão. No meio de arrastões, no meio de assaltos, no meio de mal caratismo, no meio inclusive, de mortes. 

Esperança essa que segurou as pontas durante a tensão, que não deixou que essa situação se estendesse. Ela que me fez assistir cada reportagem sensacionalista, que me fez respirar fundo depois de cada susto, de cada boato, e quando esses boatos eram verdadeiros, foi ela quem segurou minhas lágrimas também. 

A cidade do Recife nunca foi a cidade mais calma, mais segura do mundo, longe disso. Mas o que se viu ontem... foi indescritível. Pessoas trancadas em suas residencias, rezando para que os familiares que estavam fora de casa voltassem em segurança. E sabe qual a única garantia que essas famílias tinham? A Esperança. Só isso. Tudo isso. 


                    "É bom ter esperança, mas é ruim depender dela."